sábado, dezembro 03, 2005

Portugal à 10 anos atrás.. ou hoje?!



Ainda muitos se devem lembrar da revista “Sábado”, nada como relembrar uma das suas edições (ano V, nº 236 de 24/12/92) e fazer uma retrospectiva comparativa com a actualidade. Perguntas curiosas e desafios que hoje ainda colocam. Como será Cavaco em 2000? (Depois da Cimeira de Edimburgo em 92, onde ficou decidido que Portugal receberia 540 Milhões de contos por ano da CE). Luís Filipe Menezes na altura demitia-se da Distrital do Porto e saia do Congresso em Lisboa com poucos apoios; Carlos Carvalhas não conseguiu que o partido se actualizasse em matéria de integração europeia,

Finalmente poderíamos gozar das vantagens do mercado comum, da liberalização de capitais, de podermos concorrer para postos de trabalho nos outros estados membro com o direito de exigiremos que as nossas qualificações académicas fossem sujeitas a uma análise para posterior equivalência de habilitações. Os estudantes tinham possibilidades alargadas para concorrer a universidades estrangeiras.

Dezembro de 2005, e a análise não podia ser pior! O Estado continua a ter um peso excessivo e a teimar intervir em empresas que já não são suas (deixem o mercado fluir naturalmente). Os estudantes ainda esperam pelo Tratado de Bolonha, pela sua clarificação e definitiva introdução efectiva em Portugal. Muito dinheiro chegou aos cofres portugueses, muito anda perdido em “buracos míticos”, pouco se investiu em educação, muito em CCB´s e Euros´s.
Quanto ao Dr. Filipe Menezes é Presidente da Câmara Municipal de Gaia, e viu-se uma curiosa faixa a dizer “Menezes Primeiro-ministro”
O Professor Cavaco Silva é, pela segunda vez, candidato à Presidência da Republica, contra o mesmo candidato Mário Soares, que hoje já conta com mais de 80 anos.
O PCP, continua igual…

A Exame de Julho de 1994 também é algo nostálgica, dedicada ao Futebol com o Major Valentim Loureiro na capa, relatava o sucesso da Molin (hoje esta empresa de Canelas tem a sua fabrica fechada). Mas o mais curioso é um artigo sobre um estudo de Michael Porter, onde se discutia o futuro de uma grande parte do tecido empresaria Português. (Construir as vantagens competitivas de Portugal) “Inovar e diferenciar: ver mais longe. Dialogar: Apostar na educação. Perder o medo do Estado. Ganhar autoconfiança” eram as palavras-chave. Lia-se que a competitividade das nossas empresas não poderia estar mais assente na mão-de-obra barata, mas pela diferenciação. Mais à frente dedicada à indústria portuguesa, um relatório desanimador lia-se. Indústria Portuguesa estava (na altura) com um atraso de 50 anos. Apostar na diferenciação era novamente o imperativo

Dezembro de 2005, esta edição podia ter sido da semana passada! (A capa talvez diferente, ou com uns “Apitos Dourados” à mistura). O problema é que esta edição já conta com mais de 10 anos! Enumeras fabricas foram fechadas, outras deslocalizadas para a Europa do leste e para o continente asiático, outras tantas correm esse mesmo risco. Felizmente que ainda existem empresas como a Renova e a Compal. Quanto à educação é ver as estatísticas, a percentagem de jovens desempregados; produziu-se (e continua) milhares de advogados, professores… mas faltam médicos. Temos um país de “doutores” em que na maior parte falta o know-how, e não temos quadros médios especializados. O Estado, agora é conhecido como o “Monstro”, o peso do estado não é obeso, é já obesidade mórbida.

1 comentário:

Abílio Leite disse...

Compal?

Aconselho a leitura de
http://dn.sapo.pt/2005/11/07/suplemento_negocios/o_misterio_compal.html